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Vinho fluminense movimenta novos negócios e transforma paisagens no estado do Rio
Em conversa com o jornalista George Vidor, Geiza Rocha apresentou o crescimento da vitivinicultura no Rio de Janeiro, o avanço do enoturismo e os desafios para consolidar essa nova cadeia produtiva.
O Rio de Janeiro começa a ocupar um novo espaço no mapa brasileiro do vinho. Durante entrevista ao programa Economia & Empreendedorismo, apresentado por George Vidor, a jornalista e pesquisadora Geiza Rocha destacou a rápida expansão da atividade no estado.
Hoje, o território fluminense reúne 47 empreendimentos vitivinícolas, desde propriedades em fase de implantação até produtores que já lançaram seus primeiros rótulos. Seis cantinas possuem registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, e alguns vinhos produzidos no estado já conquistaram premiações nacionais e internacionais.
Esse crescimento foi impulsionado pela técnica da dupla poda, que permite transferir a colheita para o inverno, período mais seco e favorável à maturação das uvas.
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A produção fluminense não busca competir em volume com regiões tradicionais. A aposta está na qualidade, na diferenciação e na integração com outras atividades econômicas. Nesse contexto, o vinho se conecta a cafés especiais, queijos, embutidos, azeites, restaurantes, hospedagem e turismo rural.
Uma das particularidades do Rio de Janeiro é que, em muitos casos, o enoturismo nasce antes mesmo do primeiro vinho. Há propriedades que já recebem visitantes, oferecem gastronomia, eventos, degustações e experiências nos vinhedos enquanto aguardam suas primeiras safras.
Essa antecipação ajuda a amortecer os altos custos da implantação e cria novas oportunidades para os municípios. O visitante não consome apenas a bebida, mas também a paisagem, a história das famílias e os produtos do entorno.
A atividade está mais concentrada nas regiões Serrana e Centro-Sul, mas já surgem experiências em outras áreas, como Itaguaí. Entre as uvas mais plantadas estão Syrah, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, além de testes com Marselan, Tempranillo e outras variedades.
Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios importantes. A falta de mão de obra especializada, o custo dos investimentos, o acesso ao financiamento e o controle de doenças nos vinhedos estão entre os principais obstáculos.
Instituições como Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, ligado ao Sistema FAERJ), Emater, Secretaria de Agricultura, AgeRio e Embrapa começam a se aproximar dessa agenda, seja por meio de capacitação, assistência técnica, crédito ou transferência de tecnologia.
Os produtores também vêm se organizando coletivamente. A Aviva reúne empreendimentos de diferentes regiões do estado, enquanto a Viniserra atua na busca por uma indicação geográfica para os vinhos de inverno da Região Serrana Fluminense.
Outro diferencial do Rio de Janeiro é a proximidade com a capital. Em poucas horas, moradores e turistas podem sair da cidade e chegar a vinhedos, restaurantes e propriedades rurais.
Foi também para divulgar esse processo que Geiza criou o podcast O Rio é Di Vino (HIPERLINK: https://www.youtube.com/channel/UCGqE44r0CEmwzoFZO3Zqw4A ), dedicado a registrar as histórias de produtores, pesquisadores e instituições que participam dessa transformação.
A pergunta que motivou o projeto era recorrente: “Mas o Rio tem vinho?”. Hoje, a resposta já aparece nos vinhedos, nas garrafas e nas novas paisagens que começam a redesenhar o território fluminense.